Mercado aquecido para técnicos

3 de março de 2013

A procura por cursos técnicos aumentou nos últimos anos e o mercado ficou cada vez mais aquecido. Os projetos para a Copa 2014, a Companhia Siderúrgica do Pecém, programas como o Minha Casa, Minha Vida e as obras do PAC, são alguns exemplos de oportunidades de trabalho para esses profissionais.

O principal atrativo é o salário. A média salarial nacional de um profissional formado em nível técnico é de R$ 2.500,00. De acordo com o diretor da Apoena Educação, Daniel Farias, esse valor pode ser ainda mais alto. Técnicos do Porto do Pecém chegam a ganhar R$ 6 mil por mês, e, no estado de São Paulo, técnicos chegam a receber até R$ 9 mil mensais, segundo Daniel.

A técnica em Segurança do Trabalho, Luanna Queirós, terminou o curso técnico em maio deste ano e, no mesmo mês, foi aprovada em concurso da Petrobras, com salário de R$ 2.300,00. Ela estima que, na prática, com as gratificações e participação nos lucros, o salário inicial deve passar dos R$ 3 mil. Ainda neste ano, ela também foi aprovada em concurso do Banco do Brasil, mas já se decidiu pela Petrobras.

Enquanto aguarda a convocação, Luanna dá aulas de Segurança do Trabalho. Ela havia se destacado como boa aluna e foi convidada para ser professora, logo que se formou. O curso técnico em Segurança do Trabalho tem, em média, um ano e meio de duração. Luanna já era graduada em Fisioterapia há mais de onze anos. Ela disse que se sentia “estagnada”, pois considera que o mercado estava “difícil naquela área”, afirmou.

Luanna já garantiu que não tem intenção de deixar a sala de aula, nem mesmo depois de assumir a vaga na Petrobras. “O conselho que sempre dou aos meus alunos é que eles busquem se capacitar, se aprofundar, cada vez mais. Há vagas, para quem busca ser um bom profissional”, disse.

Além das oportunidades de bons salários, outra característica que atrai muitos estudantes é o tempo mais curto de formação. Os cursos técnicos têm duração média de um até dois anos, enquanto um curso numa faculdade dura entre quatro e cinco anos, aproximadamente.

 

184 escolas no Ceará

O Ceará possui atualmente 184 estabelecimentos de ensino em nível técnico regulares cadastrados no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec) do Ministério da Educação (MEC). Dentre os 60 municípios que possuem cursos técnicos, Fortaleza vem em primeiro lugar com 58 escolas. Em segundo lugar, vem Juazeiro do Norte, com 11 escolas. Sobral e Maracanaú vêm em seguida, com oito e cinco escolas, respectivamente.

Os números do Estado podem ser considerados altos, mas ainda ficam bem abaixo de outros locais, como a região Sudeste do Brasil. Somente a cidade de São Paulo, por exemplo, possui atualmente 328 escolas de cursos técnicos cadastrados, quase o dobro da quantidade de estabelecimentos registrados em todo o Ceará.

Segundo Daniel Farias, há cerca de cinco anos, os técnicos não eram profissionais muito comentados. “Nos países desenvolvidos, há três técnicos para cada profissional de nível superior, aqui no Brasil, há um técnico para três graduados em faculdades”, informou Daniel. Quando o País começou a crescer, essa situação começou a se inverter um pouco, segundo ele. “Hoje, o ensino técnico é a única saída para o desenvolvimento”, disse.

Na maioria das vezes, era comum que as pessoas terminassem um curso técnico e procurasse m um curso superior para crescerem na profissão. Atualmente, muitos dos que já possuem nível superior procuram cursos técnicos para conquistar melhores vagas no mercado. Daniel afirmou que cerca de 15% de seus estudantes já eram formados quando procuraram o ensino técnico. Ele mencionou que o governo tem incentivado a possibilidade de pessoas com baixo poder aquisitivo a frequentarem um curso técnico. Ele citou o Pronatec, um programa federal que fornece bolsas de estudo nas escolas técnicas.

 

Escolha da Escola

Para escolher onde estudar é importante seguir algumas dicas:

Tradição: observar há quanto tempo a instituição está consolidada no mercado. Uma boa dica é pesquisar quantas turmas já concluíram o curso

Opinião de amigos: uma boa maneira de descobrir se o curso é bom é perguntar a opinião de quem já o fez. Boa parte dos alunos levam em conta a propaganda ´boca a boca´ na hora de definir sua escolha

Credenciamento: verificar se as instituições estão devidamente certificadas pelo Conselho Estadual de Educação ou pelo MEC

Professores: a qualidade dos docentes, se não for determinante, é no mínimo muito importante para a boa formação do estudante

 

Fonte:  http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1194754